Existem duas versões de Deus: a sua e a dele.

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Ontem, no almoço, conversava com a minha esposa e lembramos que das parábolas que Jesus contou a minha favorita é a do “Filho Pródigo”1.


A história é de um homem que tem dois filhos. O mais novo pede ao pai [antecipadamente] a sua parte da herança. O pai não reluta em lhe dar. O rapaz pega o dinheiro, vai embora e gasta toda a grana com bebidas e prostitutas. Um dia, como já era de se esperar, o dinheiro acabou. Falido e humilhado, decide voltar para a casa do seu pai na esperança de ser aceito como um empregado da sua fazenda. No caminho, ensaia o seu discurso a fim alcançar a misericórdia do pai. 

Quando se aproxima do pai, já logo diz — “pai, pequei contra ti e contra Deus. Não sou mais digno de ser chamado de seu filho…” —, mas antes mesmo de proferir a sua proposta, é subitamente interrompido pelo pai que, surpreendentemente, o recebe de volta com todo amor, o abraça e lhe oferece um banquete de boas vindas com direito a um churrasco com o gado de melhor qualidade que o pai tem na fazenda, com muita música, dança e tudo mais.


Como disse inicialmente, é minha parábola favorita. E lembrei ontem dela por nos deparamos todos os dias nessa mesma posição do filho mais novo da história. Ele volta pra casa do pai envergonhado, depois de torrar todo o dinheiro, ensaiando o discurso que fará diante do seu pai. Ele estava convencido de que “não é mais digno” de ser chamado de filho. Embora o rapaz tenha acreditado que não poderia mais ser filho, o pai via a história de uma maneira totalmente diferente. Simplesmente (e surpreendentemente) lhe deu a melhor túnica, um anel e sandálias para os seus pés. Enquanto o filho só via o erro, a traição e o seu pecado, o pai só via o retorno, a reconciliação e a redenção.

Ali, aquele rapaz precisou tomar uma grande decisão: em qual das versões dos acontecimentos vai confiar, na sua ou na de seu pai? Vai acreditar que não é mais digno de ser chamado de filho ou que ele te deu uma túnica, um anel, sandálias e preparou pra você uma grande festa?

De fato havia duas versões, a dele e a do seu pai. Ele teve que escolher em qual delas iria viver. Em qual iria acreditar e confiar.

Você precisa fazer essa escolha também, todos os dias. Começando por agora.


Referências:
1 — Lucas 15.

Um teólogo de quinta, pastor que não tem ovelha e pregador de um evangelho meio esquecido.