Hoje eu tenho 32 anos. Desce que me conheço como gente, me lembro dentro de uma igreja. Os anos 90 foram especiais para o neopentecostalismo brasileiro e a igreja que eu cresci era daquelas bem engajadas, cheia de projetos legais e com uma turma que tinha brilho nos olhos, com o coração ardendo para impactar o mundo.

Eu falo essas coisas porque era justamente o que eu escutava. Eu era apenas uma criança e a lembrança que tenho dos meus pais naquela época é deles sempre fazendo parte do grupo de liderança da igreja. Pra quem não sabe como isso funciona, uma igreja normalmente tem subgrupos que são “grupos de convivência”, ou como chamavam na nossa igreja, “Grupos Familiares”. Meus pais, então, era líderes de um desses grupos cheio de gente boa.

Por conta disso, muita gente visitava a nossa casa, pois o propósito desses grupos era justamente gerar relacionamento, então, tínhamos as pessoas bem próximas da nossa família, muitas vezes até como um membro dela.

Aquela era uma galera que exalava o amor de Jesus. Gente que sabia que sem Jesus não era nada e que ele transformou as suas vidas com o seu amor. E sabiam que não eram merecedoras desse amor, mas mesmo assim tinham convicção de que Ele as amava, pois sabiam quão misericordioso ele era.

Me lembro também das”iniciativas evangelísticas” que rolavam naquela época, que nada mais era do que saírem por aí e apresentarem Jesus para quem ainda não o conhecesse. Aquela turma tinha consciência que Jesus morreu pelos outros assim como morreu por amor a elas, mesmo conhecendo as suas transgressões (o que na verdade foi o motivo dele ter parado naquela cruz).

Agora, 3 décadas depois, me pergunto: aonde foram parar aqueles cristãos? Não aquelas mesmas pessoas, mas onde foi parar esse mesmo brilho nos olhos dos cristãos de hoje em dia? O que fizeram com o amor e a misericórdia de Jesus? Cresci vendo pastores que iam aos presídios levar o evangelho para aquelas pessoas, pois o amor de Jesus era esperança de transformação na vida delas. Hoje, pelo visto, boa parte desses mesmos pastores se renderam ao “bandido bom é bandido morto“. Fico me perguntando onde foi parar o Evangelho no discurso dos crentes?

Uma coisa eu garanto: nem o amor e a misericórdia de Jesus mudaram. Pra ele, ainda continua a máxima de que “bandido bom é bandido abraçado pelo amor e misericórdia de Jesus, ao seu lado no paraíso“.

Jesus não mudou. Sabe quem mudou? Você.

 

Um teólogo de quinta, pastor que não tem ovelha e pregador de um evangelho meio esquecido.